Síndrome ombro doloroso


Conceito


Ombro doloroso é uma síndrome caracterizada por dor e impotência funcional de graus variados, que acomete estruturas responsáveis pela movimentação do ombro, incluindo as articulações, tendões e músculos, ligamentos e bursas.


A estes sintomas se agregam àqueles que caracterizam transtornos ou afecções locais ou a distância de implicações etiopatogênicas no aparecimento da síndrome.


Anatomia local


Articulações


O ombro é formado por três articulações (gleno-umeral), acrômio-clavicular e esternoclavicular e uma região de deslizamento entre a escápula e região torácica, que são essenciais para todos os tipos de movimentos realizados pelo ombro.


Tendões e músculos


O principal grupo muscular responsável pela movimentação do ombro é o manguito rotador. O manguito rotador é formado pelos seguintes músculos: supra-espinhoso, infra-espinhoso, subescapular e redondo menor. Possui inserção tendinosa no úmero, facilitando a estabilidade articular e propiciando movimentação.


Bursas


A principal é a busca subacromial localizada acima do tendão do músculo supra-espinhoso e abaixo do acrômio.


Ligamentos


São responsáveis pela estabilidade da articulação; os principais são a cápsula gleno-umeral e o ligamento coracoacromial.


Causas


A freqüência aproximada das causas de ombro doloroso é a seguinte:


Bursites subdeltoidiana ou subacromial com ou sem depósito calcário – 80%;Miofibrosites – 8%;Artrites do ombro – 5%;Outros – 7%.


Em relação às causas de bursite subdeltoidiana ou subacromial temos:


  • Atividade excessiva;

  • Hiperabdução prolongada;

  • Ruptura do supra-espinhoso, infra-espinhoso ou longa porção do bíceps;

  • Luxação acrômio-clavicular;

  • Fratura do troquiter;

  • Irritação por osteófitos;

  • Aderência – pacientes crônicos em leito;

  • Alterações – inflamações no manguito músculo tendinoso integrado.

Clínica/métodos e avaliação


As formas clínicas do ombro doloroso se classificam da seguinte forma:


  • Quanto à intensidade dos sintomas;

  • Quanto ao tempo do início da doença;

  • Quanto ao exame radiológico.


E quanto ao aparecimento de sintomas como:


Agudas;

Subagudas;

Crônicas;

Com ou sem calcificações.


Os sintomas da forma aguda são: dor intensa na região da articulação escápulo-umeral agravada pelos movimentos; irradiação da dor para o pescoço, às vezes para o braço, inserção do deltóides e pontas dos dedos; limitação dos movimentos com dor extrema a ligeira abdução ou rotação; hiperalgesia na região do troquiter, apófise coracóide e sulco bicipital. Os sinais radiológicos são encontrados em 50% dos casos.


Na forma crônica encontramos os seguintes sintomas:


  • Atrofia do deltóide supra-espinhoso;

  • Incapacidade de movimentos articulação escápulo-umeral (abdução-rotação);

  • Dor localizada ou irradiada de pouca intensidade;

  • Hiperalgesia em nível do troquiter.


Os sinais radiológicos são de atrofia da grande tuberosidade do úmero (calcificações).


Exame físico


É o principal meio utilizado. Localizam-se pontos de maior sensibilidade à simples pressão digital (inserção supra-espinhoso, longa porção do bíceps, articulação acrômio-clavicular, apófise coracóide, bolsa subacromial).


O arco doloroso de Simmonds é freqüente. A abdução é dificultada na passagem da grande tuberosidade do úmero sob o acrômio.


A manobra de Yergason é positiva para alteração a longa porção do bíceps quando o braço estiver em abdução e o antebraço flexionado em 90 graus. A supinação e a contra-resistência despertam dor na corrediça bicipital.


Importante é o exame em nível do tendão do supra-espinhoso, em que se instalam lesões mais graves.


Elas se localizam em áreas correspondentes ao assoalho da bolsa subacromial, na qual o tendão do supra-espinhoso se adere totalmente à cápsula articular.


Exame radiológico


Freqüentemente o exame radiológico convencional se apresenta normal (valoriza-se o exame físico).


Pode encontrar-se:

  • Depósitos calcáreos – bursite calcárea e outras;

  • Osteoporose difusa ou localizada;

  • Condensação óssea – tumores;

  • Lesões líticas;Lesões degenerativas – artrose;

  • Redução do estreito acrômio-tuberositário (desgaste-desnutrição do manguito tendinoso).

Síndrome do impacto


É uma síndrome dolorosa do ombro acompanhada por alteração na mobilidade local, sendo caracterizada por uma tendinite, geralmente, do tendão do supra-espinhoso e bursa subacromial, com lesão parcial ou total deste ou de outros tendões.


Ocorre com maior freqüência acima dos 40 anos de idade, com predominância da etiologia traumática.


Sabe-se que o impacto causando atrito e posterior degeneração ocorre durante a elevação anterior do braço, ocorrendo contra superfície inferior do acrômio.


Alguns autores descrevem três fases clínicas:


Fase I: abaixo dos 25 anos, ocorrendo dor aguda após esforço prolongado. Nesta fase há edema e hemorragia em nível de bursas e tendões;

Fase II: entre 25 e 40 anos de idade e já começa fibrose e espessamento da bursa subacromial, além da tendinite. Paciente queixa de dor noturna e após atividades. Pode ocorrer ruptura parcial do manguito rotador;

Fase III: acima dos 40 anos. Paciente apresenta dor contínua com perda da força de mobilização devido à ruptura completa de um ou vários tendões.


Diagnóstico


Além da anamnese, podemos utilizar algumas manobras úteis no exame físico, damos preferência à mobilização ativa e passiva do ombro, deixando de lado inspeção, palpação a ausculta que nos fornecerão poucos subsídios diagnósticos.


Movimentos ativos podem estar alterados pela dor e, em casos mais graves, pode estar presente devido a capsulite secundária.


Os principais movimentos são:


Abdução do braço: aparecimento da dor entre 70o e 120o de abdução, conhecido como “arco doloroso de Simmonds”;


MÉTODO DE CODMAN


Baseia-se no ganho de mobilidade com exercícios específicos: o paciente em pé fará uma flexão ligeira do ombro e depois fará movimentos para a extensão, mais tarde para a abdução e adução, e finalmente movimentos circulares para a rotação externa. O objetivo destes exercícios é ganhar flexibilidade e aumentar o movimento articular. A seguir alguns dos movimentos propostos pelo método.