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Dor crônica na coluna: os procedimentos intervencionistas realmente funcionam?

  • 15 de abr.
  • 3 min de leitura

A dor crônica na coluna é uma das principais causas de incapacidade no mundo. Diante desse cenário, é comum que muitos pacientes busquem soluções rápidas — especialmente procedimentos como infiltrações, bloqueios ou radiofrequência.

Mas a pergunta que precisa ser feita é:

👉 Essas intervenções realmente funcionam?

Uma publicação recente do BMJ (2025) trouxe uma das análises mais completas já realizadas sobre o tema — e os resultados merecem atenção.


O que diz a ciência mais atual?


O estudo, conduzido por Xiaoqin Wang e colaboradores, é uma revisão sistemática com meta-análise em rede, considerada um dos mais altos níveis de evidência científica.


O que foi analisado:

  • 81 ensaios clínicos randomizados

  • 7.977 pacientes

  • 13 tipos de procedimentos intervencionistas, incluindo:

    • Injeções epidurais

    • Bloqueios facetários

    • Radiofrequência

    • Infiltrações intramusculares


Esses procedimentos foram comparados com:


  • Placebo (procedimentos simulados, chamados de sham)

  • Tratamento convencional


⚠️ Principais achados


1. O efeito real dos procedimentos é muito pequeno


Quando comparados com procedimentos simulados (placebo), a maioria das intervenções apresentou:


  • Diferenças mínimas

  • Muitas vezes sem relevância clínica real


Em termos simples:o efeito específico do procedimento, isoladamente, é próximo de zero na média dos estudos.


2. Nenhuma técnica se destacou


Apesar da comparação entre diversos métodos:


  • Nenhum procedimento foi consistentemente superior

  • Resultados positivos foram inconsistentes e pouco confiáveis


3. A qualidade da evidência é limitada


Grande parte dos resultados foi classificada como:


  • Baixa

  • Muito baixa certeza


Isso ocorre por fatores como:


  • Diferenças entre os estudos

  • Risco de viés

  • Protocolos variados


4. Melhorar não significa que o procedimento funcionou


Um ponto crucial:


Muitos pacientes melhoram após esses procedimentos — mas isso não significa, necessariamente, que o procedimento foi o responsável.


Outros fatores influenciam fortemente:


  • Efeito placebo

  • Expectativa do paciente

  • Relação com o profissional

  • Evolução natural da condição


O que isso muda na prática?


Esse estudo não afirma que os procedimentos devem ser abandonados.Mas muda a forma como devemos enxergá-los.


🔴 Eles não são a solução principal


  • Não tratam a causa da dor crônica

  • Não modificam o processo da doença

  • Não promovem recuperação funcional duradoura


🟡 Podem ter um papel específico


Em alguns contextos, podem ser úteis:

  • Quando a dor está muito intensa

  • Para facilitar o início da reabilitação

  • Como estratégia complementar

Mas não devem ser o foco do tratamento.


E então, o que realmente funciona?


A ciência moderna sobre dor crônica aponta um caminho claro:


🟢 Abordagens com melhor evidência:


  • Educação sobre dor

  • Exercício terapêutico progressivo

  • Reeducação sensório-motora

  • Exposição gradual ao movimento

  • Estratégias cognitivas e comportamentais


Essas intervenções atuam não apenas na dor, mas também na função, autonomia e qualidade de vida.


A visão da REABFISIO


Na REABFISIO, seguimos uma abordagem baseada em valor e ciência.

Entendemos que a dor crônica é uma condição complexa, que não pode ser resolvida apenas com intervenções passivas.


Por isso, nosso foco está em:

  • Avaliação individualizada

  • Plano ativo de reabilitação

  • Construção de autonomia do paciente

  • Retorno seguro às atividades


Conclusão


A publicação do BMJ (2025) reforça uma mudança importante na forma de tratar a dor crônica na coluna:


Procedimentos intervencionistas podem até ajudar em alguns casos,mas não são o que realmente transforma o desfecho do paciente.


O que faz diferença de verdade é um tratamento ativo, individualizado e baseado em evidências.


Referência científica

Wang X. et al. (2025).Common interventional procedures for chronic non-cancer spine pain: a systematic review and network meta-analysis of randomised trials.BMJ.

 
 
 

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